Estrutura de aço para o CREA-PR

Com uma estrutura em aço e uma grande fachada verde, os arquitetos do escritório gaúcho S.O.G. Arquitetura e Urbanismo ganharam o concurso público para a construção da nova sede do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná, CREA-PR.

A competição recebeu projetos de 125 profissionais do Brasil e encontrou no trabalho do S.O.G. a melhor expressão para o programa e as exigências de uma obra em consonância com o respeito ao meio ambiente, desde a execução até o uso.

Os arquitetos responsáveis - Carolina Souza Pinto, Lucas Obino e Jean Grivot - receberam um prêmio de R$ 46 mil e assinaram um contrato de R$ 240 mil com o CREA-PR. A obra, em fase de definições, deverá recorrer ao aço nas estruturas da fachada verde e do edifício.

"Utilizamos aço em toda a estrutura da obra, suportando as lajes pré-moldadas de concreto. Em razão do foco na sustentabilidade, a opção por uma estrutura metálica ocorreu naturalmente, por razões óbvias, como a agilidade na execução e a redução de resíduos, consequente da otimização de material", desta Obino.

"Escolhemos uma técnica construtiva adequada ao terreno e empregamos processos industrializados de construção com estruturas leves, desmontáveis e recicláveis em sua maioria, gerando um prédio modulado, o que garante um processo ágil e eficiente de construção", reforça Grivot.

A nova sede será construída em um terreno do CREA-PR de 2,6 mil metros quadrados a uma quadra do Shopping Mueller, na região central d e Curitiba, unificando o funcionamento do Conselho, atualmente em dois edifícios diferentes.


O concurso destacou também outros projetos. Em segundo lugar ficou o arquiteto Marcos Jobim, de Florianópolis, SC, que recebeu prêmio de R$ 23 mil. O terceiro colocado foi Nonato Veloso de Brasília, DF, que recebeu R$ 11,5 mil. O quarto colocado, também de Brasília, foi Paulo Henrique Paranhos de Paula e Silva, que ficou com prêmio de R$ 5,7 mil.

Confira o memorial do projeto:

"O termo sustentabilidade pode ser traduzido por otimização de recursos. Recursos estes que vão além do material, do objeto que utilizamos para construir. Quando projetamos, fazemos uso de inúmeros recursos intelectuais que são traduzidos em eficiência para a edificação, ou seja, sustentabilidade. Sustentabilidade é inerente à boa arquitetura e é alcançada nos gestos iniciais de projeto, no partido, agregando-se a isto conhecimento sobre tecnologias de materiais e processos construtivos.

O projeto CREA-PR nasce de dois gestos sustentáveis: o primeiro diz respeito ao emprego de uma técnica construtiva adequada ao seu terreno, que parte da não escavação de subsolos devido ao nível elevado do lençol freático e ao alto custo; o segundo tange a criação de um conjunto bioclimático harmônico aos usuários do edifício a partir de uma correta orientação solar norte-sul e da ampliação de espaços de convívio.

Dado o declive natural do terreno de aproximadamente 1,80m desde a sua frente e a possibilidade de elevação do nível do térreo para até 1,20m a partir da cota média de sua testada frontal, torna-se possível a não escavação de subsolos para estacionamento coberto. Apenas 30 cm de terra teriam que ser removidos, não causando danos ao lençol nem à tubulação que passa pela linha não edificável. Esta atitude possibilita, também, a implantação de um canteiro plano, limpo e rápido para o aparato de guindastes, caminhões e funcionários envolvidos em um grande processo de montagem.


Cabe salientar o uso de processos industrializados de construção. Estruturas leves, desmontáveis e recicláveis, em sua maioria. O prédio é modulado e montável, garantindo, assim, um processo ágil e eficiente de construção.

A orientação norte-sul foi alcançada, voltando-se uma praça de acesso para norte, integrada aos recuos obrigatórios de altura e de faixa de acumulação de veículos, por meio da utilização de uma estrutura metálica leve e móvel que recobre a faixa não edificável, possibilitando passagem e estacionamento de veículos, além de eventuais acessos para manutenção da tubulação ou mesmo sua total remoção, temporariamente, sem danos ao prédio ou mesmo aos acessos.

A ampliação das áreas de convívio tornou-se possível, uma vez não amplamente prevista no programa básico de necessidades, a partir da otimização de espaços com simples gerenciamento de horários. Inúmeras salas de reunião utilizadas simultaneamente apenas em dias de câmara foram sobrepostas ao salão fechado de 300 pessoas, que neste projeto passa a ser uma área de usos múltiplos, modulável. Desta forma, foi possível criar uma ampla praça, que serve como foyer e palco para eventos abertos, a qual é somada ao térreo para atividades culturais abertas ao público e aos profissionais representados pela instituição, sem, contudo, conflitar com as atividades internas do prédio.

Circulações amplas, voltadas para as visuais do prédio e da cidade, são ventiladas naturalmente e interligadas por escadas abertas. Um convite ao uso sustentável.

Esta é a sustentabilidade que propomos."

Autores: - S:O:G: Souza Pinto, Obino Grivot Arquitetura e Urbanismo
Colaboradores: acadêmicos de arquitetura da UFRGS Bianca Pimentel Antunes, Cícero Guzzo Mondadori, Leandro Cavalheiro da Silva
Consultor: engenheiro Cláudio Faraó Souza Pinto


Powered by aware