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A arquitetura de Lina Bo Bardi

O livro "Lina Bo Bardi - Sutis substâncias da arquitetura" foi a única publicação brasileira indicada ao RIBA International Book Awards for Architecture and Construction 2007, prêmio do Royal Institute of Briths Architects, RIBA, outorgado em maio aos livros: "Interpreting the Renaissance: Princes, Cities, Architects" (Manfredo Tafuri) e "Stone Conservation: Principles and Practice" (Alison Henry).

Vencedor do Prêmio Modalidade Publicações da Premiação IAB-SP 2006, "Lina Bo Bardi - Sutis substâncias da arquitetura" nasceu como tese de doutorado apresentada na Escola Tècnica Superior d´Arquitectura (Barcelona, Espanha), em setembro de 2000, pela arquiteta e pesquisadora brasileira Olivia de Oliveira.

Com o apoio do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, Olívia transformou o trabalho em um livro de 400 páginas, vastamente ilustrado com 700 imagens, entre fotos e desenhos, lançado em conjunto pela Romano Guerra Editora (São Paulo) e Editorial Gustavo Gili (Barcelona), em versões em português e em inglês.

O texto analisa a obra da arquiteta Lina Bo Bardi (Itália, 1914 / Brasil, 1992), em sincronia com imagens, construindo um registro poético sobre sua trajetória.

O título vem do vocabulário próprio que a arquiteta criou para explicar sua obra. No lugar de materiais, Lina dizia que sua arquitetura era feita de substâncias: composta pelo essencial, substâncias que alimentam e dão fundamento e resistência à vida.

Dessa forma, valorizou determinados componentes vegetais, minerais, aéreos ou aquosos em seus edifícios e nas expressões utilizadas para nomeá-los: rio São Francisco, cachoeira da Mata Grande onde mora o Pai-Xangô, cidadela, terreiro, jardim de ervas aromáticas e cheirosas, termos simbólicos referidos a lugares reais e ao imaginário popular brasileiro.

Outro aspecto destacado é a ruptura da noção de tempo linear que Lina perseguia, em seu universo onírico, no qual combinou e repetiu elementos como rios, gárgulas, cachoeiras, árvores, carrosséis e escadas. Tal repetição de um mesmo elemento em obras, épocas e lugares distintos faz com que a noção progressiva de tempo seja apartada de sua obra.

Substâncias sutis

Em texto sobre o livro da Editora Romano Guerra, características que tornam a obra da arquiteta libertária e atual também são pontuadas:


"Lina pertence a uma geração que sobreviveu à 2ª Guerra, para a qual importava liberar a imaginação e trabalhar com o que se tinha nas mãos. Sua obra regenera o 'lixo', aquilo que foi dado por impuro, inútil ou perdido, fragmentos de vida dos quais surge uma potente e atual crítica a uma sociedade deteriorada pelo frenesi do consumo.

Este trabalho aproxima-se à obra de Lina Bo Bardi do mesmo modo somático com que ela abordou o mundo, desde seus aspectos marginais, escondidos, esquecidos, frágeis e efêmeros, que são os verdadeiros materiais ou substâncias de sua arquitetura, aquilo que a distingue e a torna extraordinária.

Obra, neste caso, entendida não como um edifício acabado, mas como um conjunto de detalhes existentes e dados inadvertidos a respeito deste 'organismo' inquieto, que jamais cessa de ser construído."

Sobre a autora

Olivia de Oliveira é arquiteta, formada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia, UFBA (1986), de Salvador, cidade onde Lina teve marcante atuação.

Autora de outros escritos sobre a obra de Lina Bo Bardi - como a monografia editada pela revista "2G" n° 23/24 (Gustavo Gili, 2003) e o ensaio para o catálogo da exposição "Lina Bo Bardi architetto" (Biennale di Venezia, 2004) - Olivia acumula experiência acadêmica, como aluna e professora, em instituições européias e brasileiras. Atualmente, mora em Lausanne, Suíça, onde é sócia do escritório Butikofer & de Oliveira.

"Lina Bo Bardi - Sutis substâncias da arquitetura"
Romano Guerra Editora / Editorial Gustavo Gili
2006, versões em português e inglês

Fotos:
1.Capa da versão em inglês - Divulgação/Romano Guerra Editora
2.Lina Bo Bardi na cadeira Bardi's bowl (1951), um dos móveis que desenhou - Divulgação/Romano Guerra Editora


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