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FICHA TECNICA

  • Rio de Janeiro - RJ
  • Brasil
  • Arquiteto :
    Autor: Zanettini Arquitetura Planejamento e Consultoria - Siegbert Zanettini
    Co-autor: Noosfera Projetos Especiais - José Wagner Garcia
    Participação: Equipe de Engenharia do Centro de Pesquisas da Petrobrás
  • 2005-2010
  • Cliente :
    Petrobras
  • Engenharia :
    Projeto e consultoria de fundações: Engenheiros Consultores Associados Consultrix S/A Ltda.
    Consultoria de estruturas de Concreto e metálica: Eng. Augusto Carlos Vasconcelos e Eng. Natan Jacobsohn Levental
  • Fotógrafo :
    Zanettini Arquitetura
  • WWW

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Ampliação do Centro de Pesquisas da Petrobras



A ampliação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello, Cenpes, da Petrobras, localizado na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro (RJ), é o ícone maior da arquitetura sustentável em aço no Brasil.

A obra, iniciada em 2005 e prevista para ser concluída em 2010, transformará o local no maior centro de pesquisas da América Latina e em um dos mais significativos complexos de pesquisa do mundo.

A nova estrutura contará com 23 prédios de laboratórios de pesquisas e edificações de destaque, como o Centro de Convenções ou o Centro de Realidade Virtual, CRV (este um local de criação de ambientes virtuais para desenvolvimento de estudos, projetos e pesquisas com simulação tridimensional).

A estrutura destas edificações é em aço, com revestimento em pré-moldados. O desenho do conjunto apresenta linhas modernas e já foi evidenciado na mídia especializada brasileira e em eventos como a 6ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (2006).

Sustentabilidade

O conceito de sustentabilidade aplicado ao projeto prevê a harmonização da área construída com espaços verdes e o maior aproveitamento possível de áreas de sombra e ventilação, para menor consumo de energia elétrica. Engloba ainda uma usina de energia a gás natural e parte das coberturas dos edifícios capta energia solar.

O sistema de reaproveitamento de águas - para refrigeração, irrigação e sanitários - aproveita toda água da chuva, recolhida dos telhados e da pavimentação, e prevê tratamento físico-químico do esgoto.

Além do aço, que é 100 % reciclável, a obra usa materiais como resíduos de pneu na pavimentação e garrafa pet reciclada como isolante térmico e acústico.

A Petrobrás quer obter para o Cenpes as certificações de ecoeficiência da francesa Haute Qualité Environnementale (HQE) e da norte-americana Leadership in Energy and Environmental Design (Leed).

Novo paradigma

A arquitetura proposta para o projeto, segundo seu criador, o arquiteto Siegbert Zanettini (do escritório Zanettini Arquitetura), constitui um novo paradigma para a arquitetura brasileira. "Desde a concepção, o projeto é guiado por princípios relacionados à eco-eficiência, sustentabilidade, uso de condições ambientais naturais, incorporação de novas formas de energia e interação com o ecossistema", ressalta no texto de apresentação da obra.

Fazendo vasto uso do aço, o projeto é inovador em seu conceito de integrar e coordenar as diferentes partes que compõe o todo: arquitetura, estrutura, sistemas eco-eficientes, paisagismo, recuperação da paisagem, comunicação visual, economia, planejamento e organização da obra.

"Neste projeto não existe o complementar: todas as disciplinas criaram, inovaram e comprovaram sua influência no resultado final da arquitetura. Há 140 especialistas envolvidos num corpo sistêmico. Isso resultou num processo claro e estruturado, que será transferido para outros projetos da Petrobras e fica como exemplo de uma nova forma integrada de metodologia de projeto para a cadeia produtiva da construção", arremata.

Confira mais detalhes nos trechos do texto descritivo do projeto, destacados a seguir:

Implantação

A implantação surge de uma conjunção de variáveis e como extensão natural do Cenpes existente, articulando-se com ele ambientalmente e energeticamente, e unindo os centros de energia, de controle e de computação por meio de uma galeria subterrânea de pedestres. A circulação e os estacionamentos de veículos e ônibus complementam essa simbiose entre o Cenpes existente e sua ampliação.

O projeto se constitui por um partido predominantemente horizontal que propõe edificações intercaladas por espaços abertos, constituídos de áreas cobertas e descobertas, enriquecidos ambientalmente pela inserção de vegetação com espaços sombreados.

O Centro de Convenções se situa no local mais próximo do centro atual e constitui o portal de entrada para o público, possibilitando seu uso sem interferir na vida científica do centro de pesquisas.

Do Centro de Convenções parte o eixo Norte-Sul principal, coluna vertebral de articulação das atividades científicas, dos laboratórios e escritórios no pavimento térreo; dos escritórios nos pavimentos superiores, que exploram a visual marinha; e do CRV, do Centro Integrado de Controle, CIC, e da Biblioteca, no 2o pavimento, e ao bloco separado do Holospace. Na extremidade Norte deste eixo estão situados o Restaurante e o Orquidário, unidos ao Prédio Central.

Este eixo articula também todos os sistemas de energia, através de um pipe-rack central no 1º pavimento de onde ramificam, em mesma cota, todos os pipe-racks perpendiculares que atendem aos laboratórios. Outro importante edifício, o Posto Eco-Tecnológico, completa esta trama espacial.

Aço na concepção estrutural

O aço foi adotado enquanto sistema estrutural em todos os edifícios por uma série de razões:
- Permeabilidade do olhar e transparência
- Simetria e regularidade estrutural
- Equalização de vãos e dimensões das peças estruturais
- Padronização em função do uso
- Facilidade de transporte e organização do canteiro de obra
- Racionalização de materiais e mão-de-obra
- Clareza na intenção dos detalhes
- Reversibilidade com passível desmontagem
- Material com mais alto grau de reciclagem.

O uso do aço permite transformar o canteiro de obra em um espaço de montagem. Os elementos estruturais são tratados contra corrosão e recebem proteção passiva contra incêndio ainda na indústria. São então transportados e montados na obra com ligações aparafusadas, sem solda. Este conceito de montagem se estende aos demais componentes dos edifícios, como no caso dos painéis pré-fabricados de concreto para as fachadas, esquadrias em alumínio, etc.

Exceção a isto são as fundações, vigas baldrames e estruturas moldadas "in loco", únicos elementos em concreto da obra, cuja execução mantém o conceito convencional de canteiro de obra. As estruturas em concreto foram executadas imediatamente após a terraplenagem, preparando desta forma o canteiro para receber as estruturas metálicas com uma dinâmica de montagem bastante veloz.

As fundações em sua grande maioria foram executadas em hélice contínua, além de estacas escavadas, barretes e paredes diafragmas na passagem subterrânea e cisternas. Todos os edifícios têm lajes pré-moldadas em concreto apoiadas sobre vigas baldrames ao nível do solo. As torres de circulação do prédio central, castelos de água potável e de chuva, passagem subterrânea e as seis cisternas são em concreto moldado "in loco".

Há basicamente cinco soluções estruturais distintas para o complexo, conseqüência do uso de cada edifício. São elas: (1) estrutura dos Laboratórios; (2) estrutura do Prédio Central; (3) estrutura do Centro de Convenções; (4) estrutura do Centro de Realidade Virtual; e (5) estrutura dos edifícios de apoio.

O aço utilizado nas estruturas é o ASTM A572, e recebe proteção contra corrosão e proteção passiva contra incêndio com argamassa projetada ou pintura intumescente nos perfis aparentes.

Laboratórios

A estrutura dos laboratórios é regular e padronizada, com módulo típico de 10x10m. O layout interno e suas instalações podem ser alterados sem implicações estruturais, permitindo total flexibilidade. Localizados no térreo, contém laje de piso em painéis alveolares protendidos, com sobre-laje para liberação de espaços intermediários para instalações. A superestrutura em aço, com vigas "I", suporta no 1º pavimento o piso técnico, pipe-racks e a cobertura de sombreamento com perfis tubulares, além de prever apoio para instalação de painéis fotovoltaicos.

O plano de cobertura é em vigas mistas com vãos típicos de 10m, espaçadas a cada 2,5m, para adoção do sistema de forma-laje; utilizando a grelha como suporte para o içamento das vigas na execução de acréscimos de novos módulos. Os perfis metálicos, parte laminados, totalizam 1.762 toneladas.

A solução estrutural também prevê a expansão até o ano de 2020, em direção à Baia da Guanabara e à Avenida.

Prédio Central

A estrutura do Prédio Central é composta por cinco módulos acima da estrutura dos laboratórios ocupando a projeção da principal circulação articuladora do conjunto. É composta por vigas com modulação principal de 10m, painéis steel-deck apoiados sobre vigas secundárias a cada 2,5m. O travamento da estrutura metálica se dá nos blocos de circulação vertical em concreto moldado "in loco". O vigamento a cada 2,50m, dispensa a necessidade de qualquer escoramento, ou seja, a estrutura é o seu próprio cimbramento.

Atendendo aos conceitos de eco-eficiência, foi prevista uma estrutura espacial com perfis tubulares e com chapas metálicas termo-acústicas para sombreamento dos espaços da cobertura do Prédio Central. Nas extremidades, os beirais receberão como cobertura chapas metálicas perfuradas.

Centro de convenções

É uma estrutura radial, com diâmetro total de 75m, com cobertura secundária de sombreamento em membrana retesada (“tensoestrutura”), sobre a recepção, salas de reuniões, videoconferências e eventos. A estrutura metálica da tensoestrutura é formada por 11 módulos, cada um composto por arcos tubulares calandrados, de raios variável, dispostos em planos radiais. Cada plano é sustentado internamente por um mastro tubular, vinculado ao solo e aos arcos de forma articulada, e externamente por duas escoras tubulares inclinadas, articuladas em ambas as extremidades, que se apóiam na cobertura das diversas salas do Centro de Convenções.

Centro de Realidade Virtual

O Centro de Realidade Virtual se destaca no complexo da Ampliação pela sua forma inusitada e complexa, refletindo a alta tecnologia dos equipamentos de realidade virtual que abriga. Sua estrutura será uma geódesica elíptica com dimensões de 35x20x14m, formadas por 960 triângulos, 1623 barras e 477 nós, totalizando 345 toneladas de aço. Irá apoiar o revestimento externo em fibra de vidro e resina pigmentada.

Edifícios de apoio

As estruturas metálicas dos demais edifícios da ampliação, quais sejam, Empreiteirópolis, Oficinas, Planta Piloto, Central de Utilidades, são regulares, com módulos típicos de 10x10m, vigas mistas, painéis steel-deck apoiados sobre vigas secundárias a cada 2,5m. A estrutura em sheds das coberturas permite iluminação e ventilação naturais, nos seus principais ambientes.

Green building

O projeto considerou conceitos de "green building", como:
- Tratamento do esgoto para o reuso da água nas torres de resfriamento da Central de Utilidades;
- Aproveitamento da luz solar com utilização de grandes áreas envidraçadas e controle automático das luminárias dependendo do índice de luminosidade do ambiente, por meio do sistema de automação
- Coleta diferenciada de água pluvial das diversas coberturas, preservando a limpeza e a não contaminação da água por óleo, dispensando o tratamento da mesma e habilitando seu uso para vasos sanitários;
Coleta e armazenamento de água pluvial de áreas com pisos impermeabilizados, para uso na irrigação dos jardins e árvores, através do sistema automático com controladores de umidade do solo;
- Sistemas de lavadores de ar provenientes dos exaustores dos laboratórios de pesquisas, antes do lançamento na atmosfera.

Ficha Técnica complementar:

Instalações: MHA
Fundações: Consultrix
Terraplenagem: Mesure
Estruturas: Companhia de Projetos, Kurkdjian & Fruchtengarten e Hr
Projeto de paisagismo: Benedito Abbud - Arquitetura da Paisagem Ltda.
Pesquisa e Consultoria de Eco-Eficiência: Fupam - Fundação Para Pesquisa Ambiental Da Fau -Usp/ Labaut
Consultoria para Implementação do CRV- Centro De Realidade Virtual: Absolut Technologies Projetos e Consultoria Ltda

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