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FICHA TECNICA

  • Rio de Janeiro RJ
  • Brasil
  • Arquiteto :
    Carlos Porto, Geraldo Lopes, Gilson Santos e José Raymundo Gomes
    Consultoria: Ellerbe Becket Inc., Kansas City EUA
  • conclusão: 2007
  • Cliente :
    Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro
  • Engenharia :
    Projeto Estrutural
    Concreto: Engenheiros: Bruno Contarini, Cesar Pereira Lopes, Waldir Mello, José Eduardo Queiroz e Nivaldo Santos
    Metálica: Engenheiros: Flavio D´Alembert, Jefferson Andrade e Tiago Abecasis
  • Construtora :
    Construção:
    Fase 1 - Consorcio: Racional, Delta e Recoma
    Fase 2 - Consorcio: Odebrecht e Oas
  • Fotógrafo :
    My Zoom

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Estádio Olímpico João Havelange



O Estádio do Pan-2007

O Estádio da Prefeitura do Rio de Janeiro (RJ) para os Jogos Pan-americanos-2007 é o resultado de três projetos diferenciados que se sucederam guardando uma característica inconfundível e comum a todos: a sustentação da ampla cobertura por quatro arcos metálicos apoiados em pilares externos ao seu contorno.

Ele começou a se desenhar no final do ano de 1995, na Rio-Urbe (Empresa Municipal de Urbanização do Rio de Janeiro), quando o projeto que elaboramos para a Prefeitura do Rio contou com a colaboração de arquitetos e engenheiros da DPL - Rio-Urbe (destaque para Hermano Lemme) que aceitaram com entusiasmo o desafio de apresentar um estádio de futebol, moderno e eficiente, para 50 mil espectadores. O terreno escolhido localizava-se na área próxima à chegada da Linha Amarela na Barra.

Depois, no correr de 1996 e já com vistas à preparação da candidatura do Rio para as Olimpíadas de 2004, fizemos uma outra versão do estádio, então com as pistas de atletismo exigidas para as competições internacionais de atletismo ali previstas. Este trabalho foi desenvolvido e apresentado pelos escritórios técnicos de BC Engenharia, do calculista Bruno Contarini, e por Lopes, Santos & Ferreira Gomes Arquitetos Ltda. Com o posterior esvaziamento da candidatura olímpica da cidade, o processo de construção foi transferido para outra oportunidade futura.

Esta ocasião surgiu no final de 2002, quando a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Pan-americanos de 2007 foi anunciada. Naquele momento, atendendo ao programa previsto, estudamos uma nova alternativa para o terreno de 200 mil m², localizado em frente à Estação do Engenho de Dentro, que abrigava antigos galpões de manutenção dos trens ferroviários, no bairro do mesmo nome e próximo da Linha Amarela.

Projetado agora pelos arquitetos Carlos Porto, Geraldo Lopes, Gilson Santos e José R. Ferreira Gomes - o estádio foi proposto para uma capacidade inicial para 45 mil espectadores e previsão para um possível acréscimo de mais 15 mil lugares, chegando assim aos 60 mil lugares.

A localização em área densamente ocupada e em processo de transformação urbana iniciou uma verdadeira renovação na região, com a melhoria do sistema viário, calçadas e passeios, da drenagem, iluminação e serviços públicos, arborização e sinalização, entre outras. O transporte público oferecido favorece as diversas propostas de usos e atividades desportivas, culturais e sociais programadas para o conjunto. Cuidados especiais ainda devem ser tomados, numa escala de planejamento e intervenções mais abrangentes, para que o tecido urbano e social no qual será inserido possa ser preparado para usufruir integralmente dos benefícios que ele proporciona.

Cobertura e conjunto de arcos metálicos

O Estádio Olímpico Municipal João Havelange é do tipo multifuncional, tem forma ovalada com eixos que medem 284m e 232m, sem considerar o conjunto de rampas externas. A sua cobertura é metálica, suspensa e atirantada em um conjunto de quatro grandiosos arcos tubulares de aço com 2m. de diâmetro, cobrindo a totalidade da platéia e foi projetado em seis níveis principais, dispondo de um prédio administrativo anexo com salas de apoio às suas várias funções e de uma garage em dois níveis, na cobertura da qual se localiza a área de aquecimento externo de atletas e suas instalações atendem às mais rigorosas normas internacionais de segurança e conforto exigidas para competições de alto nível. As áreas totais construídas somam assim 182 mil m² e a projeção do estádio com seus anexos, ocupa cerca de 47% da área do terreno compreendido entre as ruas Arquias Cordeiro, José dos Reis, Dr.Padilha e das Oficinas, onde está implantado.

Os cuidados tomados na elaboração dos projetos técnicos e na construção do Estádio Olímpico João Havelange refletem a convicção de que os estádios esportivos não são só imensos teatros para a apresentação de feitos heróicos. São também algumas das obras mais antigas e permanentes da arquitetura, desde o Coliseu de Roma (Itália) até ao atual Parque Olímpico de Pequim (China), 20 séculos mais tarde. Obras estas cada vez mais significativas desde que a grande demanda por eventos de massa para o público das grandes cidades ocorreu na segunda metade do século XIX. No momento que coincide com o emprego do ferro conjugado com o vidro na construção, com as enormes pontes e as estações ferroviárias, as galerias envidraçadas e os espetaculares pavilhões das feiras internacionais onde já se incorporavam as novas tecnologias construtivas que permitiam a execução destas impressionantes estruturas.

No campo dos esportes, esse impulso chegou através da reedição das Olimpíadas, proposta pelo Barão de Coubertin, com a edição dos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna realizados em Atenas (Grécia), em 1896. Vários exemplos dessas estruturas destinadas ao culto do esporte desde então, se fizeram notar: os Estádios Olímpicos de Berlim-1936, o de Roma-1960, o de Tóquio-1964, o magnífico conjunto de Munique-1972, entre os mais expressivos. Mais recentemente os de Barcelona, Sidnei e Atenas, e agora, os surpreendentes equipamentos em construção para as Olimpíadas de Pequim-2008, prometendo superar tudo o que se poderia imaginar até agora. Por outro lado, o futebol, o jogo favorito de todos, tem produzido exemplos por todo lado, em especial, os estádios destinados aos Campeonatos Mundiais, dentre os quais se destaca o Maracanã, no Rio, levantado em tempo recorde para a Copa do Mundo de 1950. Todos estes edifícios se caracterizam não só por sediarem eventos importantes, mas também por possuírem as qualidades arquitetônicas essenciais dos grandes projetos: monumentalidade, liturgia, significado, grandeza, porte e presença marcante.

Depois de um século de mudança gradual, em todos os maiores centros, nos últimos anos, os estádios têm assumido um número muito mais amplo e sofisticado de funções. O esporte se tornou um elemento essencial da cultura ocidental e a cultura específica do esporte afeta nossas vidas, não apenas através de uma mais ativa participação de muitos, com efeitos positivos para a saúde, mas da maneira extraordinária com que a nossa participação 'passiva' - como assistentes - se desenvolveu. O status alcançado por estes estádios pode agora ser comparado àquele que é representado pelas mais expressivas obras arquitetônicas: museus, teatros, centros culturais, igrejas e bibliotecas, desde os anos 1990. São estruturas de alta significação e representatividade para a elevação da auto-estima de uma cidade ou mesmo de países. Eles são agora muito mais do que apenas simples local onde eventos esportivos acontecem. São hoje os verdadeiros centros de encontro das grandes multidões urbanas do século 21 e se transformaram em importantes locais de atração turística.

Entretanto, todos nós sabemos que a solução arquitetônica do programa do edifício esportivo, por melhor que seja não é suficiente para garantir seu perfeito desempenho. Todas as melhorias introduzidas têm de ser necessariamente acompanhadas daquilo que é o item mais importante para assegurar o funcionamento integral de todas as suas partes componentes: a gestão segura e eficiente dos espetáculos que irão se realizar nos estádios. Essa questão é crucial e uma falha nesta seqüência, por menor que seja, pode ocasionar o mau funcionamento de todo o sistema de planejamento previsto. Isto significa, em resumo, que, ao transpor os portões de acesso ao estádio, o espectador deverá ter assegurado, pelos administradores e organizadores do espetáculo, o conforto, a segurança e a integridade dos seus direitos de consumidor privilegiado do espetáculo para o qual adquiriu o ingresso.

As novas tecnologias que estão revolucionando o resto da sociedade podem e devem ser introduzidas no mundo dos estádios esportivos. Assim é fácil perceber porque o estádio do futuro se difere daquele do passado. Como as fronteiras entre esporte e lazer se tornaram rapidamente tênues, devemos assegurar que as próximas gerações continuem a assistir o esporte ao vivo com o mesmo entusiasmo que isso produziu nas gerações presentes. A nós cabe trabalhar para que isso aconteça.

Estamos atravessando um momento interessante e único na história, no qual podemos associar as mais sofisticadas inovações tecnológicas disponíveis com uma multiplicidade quase ilimitada de possibilidades criativas oferecidas pelos novos materiais e pelas técnicas construtivas mais avançadas. Hoje em dia, a nós arquitetos são oferecidos limites cada vez mais amplos para que possamos transformar em realidade concreta as nossas idéias mais ousadas. No nosso caso, pudemos reunir num mesmo edifício: os quatro imensos arcos brancos, as ondulações leves e elegantes das formas de sua cobertura e a estrutura esbelta dos pórticos de concreto que sustentam as arquibancadas e as circulações do público. A repetição lúdica e ritmada dos arcos desiguais do Estádio Olímpico João Havelange, que são a sua marca inconfundível, parece demonstrar de forma inequívoca o acerto da associação plástica entre a vontade criadora e o rigor matemático do cálculo estrutural, ali tornada possível.

Por isso podemos afirmar que o Estádio Olímpico do Rio de Janeiro espelha o profundo significado que tem o esporte em nossa cultura e, em especial, responde a uma vocação que é muito forte e intrínseca do povo da nossa cidade: a tradição de festejar nos espaços livres, em suas ruas e praças, sob a forma da nossa alegria musical e espontânea, o entusiasmo e a paixão com que sabemos comemorar os nossos maiores feitos esportivos.

Por Carlos Porto, Geraldo Lopes, Gilson Santos e José Raymundo Gomes - arquitetos responsáveis pelo projeto.

Ficha técnica complementar:

Arquitetos Colaboradores: Cecília Moreira, Renato Silveira, Diogo Taddei, Rafael Segond, Marcelo Fernandes, Patricia Miranda e Paola Saito.
Ar-Condicionado e Exaustão Mecânica: Dw Engenharia
Instalações Prediais: Mbm Engenharia
Comunicação Visual: Modonovo / Bruno Porto
Fiscalização:
Rio-Urbe - Empresa Municipal de Urbanização
Secretaria Municipal de Obras

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