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FICHA TECNICA

  • Madri
  • Espanha
  • Arquiteto :
    Jacques Herzog, Pierre de Meuron, Harry Gugger
  • Projetos 2001/2003 - Obras 2003/2008
  • Cliente :
    Obra Social Fundacion LaCaixa e Caixa d´Estalvis i Pensions de Barcelona
  • Engenharia :
    NB35 Ingeniería
  • Construtora :
    EMESA e ENAR, mais: Ferrovial Agroman. WGG Schnetzer Puskas Ingenieure Suíça, Urculo Ingenieros.
  • Fotógrafo :
    ©Pierre Engel
  • WWW

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CaixaForum Madrid



Encomendado ao escritório de arquitetura Herzog & de Meuron (Basileia, Suíça), pela Caixa de Poupança de Barcelona para sede de sua fundação madrilena, a CaixaForum ergue-se sobre um local renovado, situado na altura do número 36 do Paseo del Prado, logo em frente ao Jardim Botânico de Madri.

Em Barcelona, a fundação construiu em 2002 seu primeiro centro sócio-cultural, com projeto do arquiteto japonês Arata Isozaki, que se tornou imediatamente um ponto de referência. O mesmo ocorreu na capital ibérica. A vocação é a de um local comunitário, de exposições artísticas, de apresentações musicais e de encontros públicos - de desabrochar de culturas.

A ambição de seus autores era fazer um verdadeiro “imã urbano”, projetado não somente para atrair os apreciadores de arte, mas também a população e os numerosos visitantes cosmopolitas de Madri. O edifício está em uma área movimentada e de grande fluxo de turistas - próximo aos museus do Prado, Thyssen-Bornemisza, Rainha Sofia e da estação de Atocha, construída pelo arquiteto espanhol Raphael Moneo.

A área, de 11.000 m2, abrigava antes uma antiga central elétrica e um posto de gasolina de ares anacrônicos. Se a fachada de tijolos da Central exigia uma restauração para ser preservada, por outro lado, a demolição do posto de gasolina era uma ótima oportunidade de abrir, nesse quarteirão muito denso, o espaço de uma pequena praça, criando uma área livre entre o Paseo del Prado e o edifício remodelado.

Desde sua inauguração, em fevereiro de 2008, a CaixaForum imediatamente suscitou o interesse e a curiosidade do público, enquanto sua programação cultural, embora de qualidade, era relegada a um segundo plano. Aberto diariamente, com acesso gratuito, o edifício vê desfilar multidões de turistas, estudantes e amantes da arte que perambulam por seus andares. E seu restaurante recebe uma cota adicional de frequentadores.

Escavar, levantar outros níveis, combinar as duas opções

O volume arquitetônico da central era exíguo demais para acolher todas as funções definidas pelo programa. Havia três soluções para a ampliação: escavar, levantar outros níveis ou duplicar o edifício existente, fazendo um clone dele no espaço da praça, correndo o risco de ocupá-lo totalmente e asfixiar o local. Herzog & de Meuron escolheram as duas primeiras alternativas combinadas, utilizando tanto a virtuosidade arquitetônica como a técnica.

Com efeito, a fachada de tijolos foi inteiramente suspensa; em seguida, sua base, feita de pedra de cantaria, foi instalada em todo o perímetro do andar térreo, resultando assim em um local coberto acima e abaixo do qual o projeto foi composto em duas partes distintas.

Escavados em dois níveis, os subsolos do edifício e da esplanada a céu aberto acolheram o anfiteatro, o auditório, áreas de serviço e estacionamentos. As janelas antigas foram bloqueadas, perfurações aqui e ali de novas aberturas geométricas, os muros de tijolos revestidos abrigam o vestíbulo, no primeiro andar; as salas museográficas no segundo e no terceiro.

Finalmente, é sob um volume de aço recortado acima das paredes originais que o restaurante e os escritórios administrativos estão instalados no topo do edifício. Adornado com sua capa de metal oxidado e flanqueado por um muro vegetal – dissimulando a parede de um imóvel adjacente, fechando um lado da praça – o novo CaixaForum, fruto de um gesto urbanístico simples e poderoso impõe sua identidade.

O vão, criado pela suspensão do edifício, literalmente arrebata os transeuntes e visitantes do pátio coberto para conduzi-los na direção da entrada quase exígua, mas elegante, do museu e sua escada. Agradável, esse espaço é, de forma alternada, um abrigo contra as intempéries no inverno e um local sombreado no verão.

Uma arquitetura de contrastes

A composição de Herzog & de Meuron é cheia de contrastes. Por exemplo, a justaposição dos tijolos e do muro vegetal do botânico francês Patrick Blanc, ou ainda o céu quase sempre azul da cidade com a oxidação do telhado do edifício.

Esse revestimento oxidado (de painéis com 800 x 800 x 10 mm) é delicadamente embutido nas partes sólidas das fachadas, para dar firmeza, e totalmente perfurado diante das partes envidraçadas, para deixar passar a luz natural e produzir outra textura e criar outro contraste.

Em seguida, contrastes de ambientes: entre a praça coberta e o nível do vestíbulo, entre o caráter fluido das galerias de exposição e as áreas com espacialidades mais complexas do último andar, nos corredores, escritórios e lanchonete.

A entrada neste último andar é um momento à parte. Voltada para o sudoeste, sua parede vertical é envidraçada e protegida pelas placas oxidadas que, nesse ponto, parecem assumir a função da trama de madeira dos balcões mouriscos do tipo muxarabiê. A renda metálica, recortada sobre uma tela coberta de formas que lembram pixels, representando elementos cartográficos da península Ibérica, filtra os raios do sol e proporciona uma suave luminosidade que confere ao local um ar delicado.

As cadeiras azuis do arquiteto dinamarquês Arne Jacobsen e os elementos de silicone suspensos concebidos por Herzog & de Meuron completam o cenário. À noite, o efeito visual se inverte: sua iluminação interna transforma a lanchonete em um farol urbano, enquanto que a luz que escapa do pátio coberto assinala a base do edifício e amplia seu efeito de levitação.

Técnica do Top and down

A metamorfose da velha central elétrica começou por uma verdadeira operação cirúrgica: a suspensão de seus muros de tijolos e da superestrutura em aço que a sustenta foi realizada por meio de três blocos dispostos em triângulo que contêm os elementos de circulação verticais (elevadores, monta-cargas e caixa de escada). Essa superestrutura, constituída por uma rede de vigas e paredes, sustenta o revestimento de tijolos reforçado por uma cinta.

Afastado do solo pelo recorte de sua base, o edifício desafia a lei da gravidade, deixando estupefatos engenheiros e leigos, pela ousadia do planejamento arquitetural. Em relação aos andares subterrâneos, as estruturas e fundações foram realizadas por meio de técnicas tradicionais.

Acima do nível do solo, suspenso por onze tirantes presos às vigas do segundo andar, o assoalho do vestíbulo (Térreo+1) é, por si só, uma amostra da coragem que permitiu suprimir os pilares na parte coberta e possibilitou a superfície poligonal que forma o teto. Engenhoso, é como um sanduíche de espessura variável constituído por um conjunto combinado onde a laje de compressão de 15 cm, as traves horizontais de diversas alturas e o teto de aço formam um conjunto de caixas rígidas interligadas e suspensas entre si e por tirantes.

O revestimento visível do telhado coberto é constituído por polígonos de folhas de metal de 2 mm, fixados às caixas e interconectados por solda. Suas facetas multiplicam os reflexos do metal e amplificam o volume dessa passagem cuja altura, no entanto, é calculada. Esse invólucro, quase uma carapaça, continua na escada que leva ao vestíbulo, de onde ele se transforma em placas triangulares para compor um solo que projeta mil reflexos e parece deixar os pés deslizarem.

O interior do vestíbulo expõe a mecânica estrutural da suspensão, com seus tirantes conectados ao assoalho do segundo andar e suas vigas mistas HEM 700 de aço laqueado na cor cinza metal. A estrutura e os equipamentos técnicos de ventilação, de climatização ou de iluminação são, deliberadamente, deixados de forma aparente. O falso teto é sugerido de forma simbólica por uma malha de triângulos em tubos de néon, que se assemelha a uma instalação luminosa. Os móveis dos balcões da recepção e do vestiário, fabricados em madeira escura, são suspensos, imitando o edifício, repetindo a levitação.

Os andares de exposição são constituídos por dois grandes platôs livres onde a rede de vigas mistas aparentes foi duplicada para ultrapassar a altura ininterrupta de 21 metros. Os assoalhos são compostos por vigas alveoladas HEB 750 espaçadas de três metros, distribuídas a 916 mm e conectadas a um pavimento colaborante (PL 76/383/1 mm) preenchido com concreto para formar uma laje de 20 cm de espessura. Dispostas de forma metódica, a iluminação e a ventilação são instaladas em meio a cada trama.

A partir do terceiro andar, os muros de tijolo da central vão se extinguindo progressivamente. Para completar o volume necessário ao programa, foi acrescentada uma ossatura metálica para suportar o assoalho do quarto andar, as fachadas e a cobertura da extensão em aço. Esta última foi "esculpida", para se harmonizar com as dimensões urbanas dos imóveis circundantes e oferecer uma volumetria recortada que libera no telhado um pequeno pátio aéreo.

Habituados a projetos prestigiosos, Jacques Herzog e Pierre de Meuron alcançaram com o CaixaForum um resultado inesperado. Eles surpreendem por sua virtuosidade nesse exercício difícil da arte da arquitetura e pela exatidão de sua composição. Seu recurso de criar um muro vegetal – muito propagado atualmente – parece, subitamente, essencial ao projeto. Certamente, estamos aqui bem longe das propostas judiciosas de Corbusier que dizia para quem quisesse ouvir: "a hera, é a maionese da arquitetura…". Tiremos o chapéu aos suíços!

Por Pierre Engel

Informação complementar

Arquitetos
Gerentes do Projeto - Peter Ferretto, Carlos Gerhard, Stefan Marbach, Benito Blanco
Execução - Mateu i Bausells Arquitectura

Fachada - consultor Emmer Pfenninger Partner AG (Suíça) e Ehar (Espanha)
Iluminação -  Arup Lighting. Acústica, Audioscan.
Muro vegetal - Herzog & de Meuron, com a colaboração de Patrick Blanc

Superfície do local: 1.934 metros quadrados. Praça: 650 metros quadrados. Área construída: 11.000 metros quadrados

Os elementos em aço foram fornecidos pela Arcelor Mittal
Luminárias suspensas, Artémide
Assentos na lanchonete, Fritz Hansen

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