Free-Form Design - o aço entre a arquitectura e a engenharia

“Free-form design” é uma tendência da arquitectura contemporânea que busca ultrapassar os limites das estruturas tradicionais, levando à realização de arquitecturas complexas, de forma livre, com grandes aberturas ou grandes elementos em relevo, de grande impacto visual e sugestão estética.

Esta abordagem é chamada também de “Efeito Bilbao”, pois teve início com a construção do Museu Guggenheim de Bilbao (Espanha) de Frank Gehry e é actualmente objecto de controvérsia e análise.

O "Free-Form Design" é fortemente influenciado pela actual existência de recursos informáticos avançados: cascas e estruturas espaciais são projectadas e calculadas graças a softwares de modelação e gráficos em computador. Hoje em dia é possível projectar formas arquitectónicas muito complexas e reordenar os processos de concepção e análise da segurança estrutural por meio da tecnologia.


"Face a formas complexas que tendem para a inovação estética e a estupefacção" – defende o professor e engenheiro italiano Massimo Majowiecki, "o engenheiro é obrigado a resolver novos problemas, relacionados, sobretudo com aspectos de segurança estrutural, funcionalidade e manutenção."

Majowiecki segue: "alguns temem que a prioridade dada à estética em lugar da racionalidade revele um futuro de edifícios com formas livres por oposição à filosofia herdada dos engenheiros pioneiros de sistemas estruturais leves, estruturas reticuladas, sob tensão, com casca e membrana, de acordo com os quais o respeito pelas leis da estática na fase de projecto era, só por si, uma garantia de obtenção de resultados válidos mesmo do ponto de vista estético."


Processo interdisciplinar

Este novo tipo de projecto a que se refere o engenheiro é, antes de mais nada, um processo interdisciplinar entre a arquitectura e a engenharia estrutural. Com efeito, o know-how para abordagem do projecto de execução e sua caracterização estão à disposição dos especialistas da área.

Existem instrumentos, materiais e tecnologias de construção capazes de concretizar formas livres e ideias arquitectónicas mais ousadas. Estes materiais, graças, em grande parte, à participação da indústria, prestam-se a utilizações novas e variadas. Quando há vontade de experimentar e inovar, pode-se recorrer, por exemplo, a uma transferência de tecnologia.


Liberdade do aço

Isso acontece deslocando o material de um sector onde é utilizado com sucesso para o sector da construção. Entre estes materiais, o aço é certamente aquele que maior liberdade de composição proporciona ao projectista, garantindo em simultâneo os aspectos de resistência mecânica, durabilidade, economia e sustentabilidade, sendo um material 100% reciclável.

Por exemplo, as redes de malha inox, utilizadas pela primeira vez pelo arquitecto francês Dominique Perrault nas fachadas da Biblioteque Nationale de Paris (França) e posteriormente difundidas em arquitectura, nasceram para serem utilizadas na indústria agro-alimentar.


Ou então as espirais em aço inox com acabamento espelhado, tipicamente utilizadas na indústria dos electrodomésticos e, de modo inovador, na cobertura do eixo pedonal da nova Feira de Roma, onde foram enroladas lado a lado em cima de cavaletes metálicos de grandes dimensões e deitadas como se tratasse de uma catenária.

(por Tommaso Tirelli para Constructalia)

Fotografias:
1: Museu Guggenheim de Bilbao, de F. Gehry © FMGB Guggenhein Bilbao Museum, 2007
2: Construção do museu Guggenheim © ArcelorMittal
3: Sede da Grappa Nardini, de M. Fuksas © M. Fuksas Architetto
4: Velódromo de Berlim com fachadas em rede de malha inox, por D. Perrault © Dominique Perrault Architect
5: BMW Welt de Coop Himmelb(l)au © BMW AG


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