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Obras de vinho e aço |
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Frank Gehry projecta a sede social da Marqués de Riscal em Elciego (Espanha)
Nos últimos anos, os adegueiros espanhóis têm-se sensibilizado com a paisagem que acolhe as instalações de produção e distribuição dos seus vinhos. Muitos deles entenderam o impacto mediático e o prestígio que representa contar com os serviços de um arquitecto de renome. Prova disso é que diversas adegas de diferentes áreas vinícolas, especialmente na área da Denominação de Origem Rioja, resolveram apostar em dotar os seus centros de produção de arquitecturas singulares. O precedente desta tendência remonta à construção em 1901 das Bodegas Güell, pelo arquitecto catalão Antonio Gaudí. Localizadas no maciço montanhoso de Garraf, a 25 quilómetros de Barcelona, actualmente formam parte de um restaurante. No entanto, foi nas últimas décadas que resurgiram estas inovadoras edificações destinadas ao sector vinícola. Frente aos edifícios tradicionais, alguns deles originários da Idade Média, erguem-se na zona os novos templos do vinho, estruturas inovadoras projectadas por arquitectos tais como Frank Gehry (Bodegas Marqués de Riscal, em Elciego) ou Santiago Calatrava (Bodegas Ysios, em Laguardia). Trata-se duma aposta no próspero turismo do vinho, uma renovação vertiginosa de La Rioja em que a funcionalidade e a vanguarda fusionam-se em um único edifício. Este é o caso da Cidade do Vinho, enquadrada no plano estratégico denominado "Projecto 2000" iniciado pelos Herdeiros do Marquês de Riscal, o qual, tem permitido a modernização de todos os sistemas produtivos e de elaboração do vinho, a construção de uma nova adega e a ampliação da capacidade produtiva do vinhedo. |
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O arquitecto![]() A responsabilidade de todo esse complexo recai sobre Frank Gehry, um experimentado arquitecto norte-americano que se afasta da prática da arquitectura comercial convencional para dirigir com critérios artísticos um estilo e uma visão pessoal da arquitectura, de tal maneira que, em vez de criar edifícios, ergue peças de escultura funcional. O seu estilo pessoal reflete-se novamente nesta construção, através de formas sinuosas revestidas de aço e titânio, coloridas em tons que imitam a cor do vinho. A construção deste conjunto, constituído por uma enorme garrafeira, um hotel e um museu do vinho custará nove milhões de euros. Outro projecto similar é a construção das Adegas Portia, do Grupo Faustino, em Gumiel de Izán (Burgos, Espanha). Este complexo, projectado pelo arquitecto britânico Norman Foster, representará um desembolso de mais de vinte milhões de euros, cujo projecto também inclui um restaurante e um hotel. Os proprietários de "Vinos de los Herederos de Marqués de Riscal" convenceram Gehry, enquanto este culminava o projecto do museu Guggenheim em Bilbao, para vir visitar as suas adegas. Nelas foi obsequiado com um almoço regado a vinho da safra 1929, ano do seu nascimento, tornando a proposta irresistível para este arquitecto autor de obras tão grandiloquentes como o Walt Disney Concert Hall de Los Angeles ou o Experience Music Project, de Seattle. Desse modo, não teve outro remédio senão empreender o seu segundo trabalho no País Vasco com o propósito de construir em Elciego (Álava, Espanha) a Cidade do Vinho, um sector em que era renitente em se envolver. |
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Sensação de movimento
Este edifício, concebido com a mais moderna tecnologia, destaca pela espectacularidade das formas e da sua silueta que conjuga, de forma surpreendente, tradição e vanguardismo com as restantes instalações do complexo, dando lugar a um cenário único e grandioso. A superfície construída do edifício principal compreende cerca de 2.765 m2, que alcança a altura máxima de 37 m. da cave. O hotel, de luxo, possui 43 quartos, 14 no edifício principal e 29 nas residências anexas. Embora, à primeira vista, parece uma visão concentrada do museu Guggenheim de Bilbao, a sua complexidade geométrica vai ainda mais além, o que torna o hotel concebido por Gehry um dos elementos mais notáveis do começo de milénio da arquitectura mundial. |
![]() A primeira coisa que chama a atenção do espectador é a sensação de movimento, parecendo um edifício que foge dos alicerces para se misturar no ambiente, na paisagem. O Hotel Marqués de Riscal, sob o qual se encontram as novas instalações da adega, constitui portanto uma aposta na modernidade e inovação desta adega antiga. O contraponto às instalações levantadas pelo Marquês de Riscal em 1858, de pedra de cantaria ao estilo das adegas de Bordéus, com longos túneis edificados por canteiros galegos, é o titânio em diversas cores que o arquitecto norte-americano irá utilizar para as consolas, inspiradas na garrafa de vinho; cor-de-rosa, pelo vinho tinto, prateado, pela cápsula da garrafa; dourado, pela rede que cobre a clássica garrafa de Marqués de Riscal. Outro material que definitivamente segue a pauta do vanguardismo é o aço inoxidável na sua forma natural, contrastando com a arquitectura tradicional da área. Em cifras, serão utilizados 1.500 metros quadrados de titânio em cor natural e mais 1.700 m² coloridos, além de outros materiais de construção tais como a pedra, enlaçando com as construções antigas, revestida de metal; 1.750 m2 de aço inoxidável, 3.180 m2 de "canopys" (consolas), como se fossem viseiras metalizadas para impedir a insolação directa e 1.200 m2 de paredes divisórias. |
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Turismo rural
O projecto começa e termina com vinho porque, embora a atracção principal sejam as adegas, se abre um novo leque de possibilidades entre as que destacam a cultura do vinho e o seu conhecimento, que estão inexoravelmente ligados à gastronomia. Além disso, a localidade onde se encontra permite combinar todos os serviços dum hotel desta classe com a paz, a tranquilidade e o sossego destas terras. O edifício principal, gerido pela cadeia norte-americana Starwood Hotels & Resort, formará parte da prestigiosa Luxury Collection, que são aqueles hoteis de tamanho pequeno que ocupam edifícios históricos ou singulares. Neste caso, embora a construção não possui passado, vincula-se com o futuro e com a vanguarda. A Cidade do Vinho Marquês de Riscal é, em suma, o resultado da união da melhor tradição vitivinícola riojana com a modernidade, tornando este enclave um local único que engranza três séculos de história para os amantes do turismo enológico. Um mundo além do próprio vinho. |
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Aço e inovação![]() O objectivo de qualquer grande adega é produzir vinhos de alta qualidade que assegurem o envelhecimento prolongado em garrafa. Por isso, após diversas ampliações, hoje em dia, a Marqués de Riscal mantém a sua aposta na contínua melhora da qualidade, tanto do processo como do produto. No entanto, a verdadeira revolução desenvolvida nesta adega veio através do aço inoxidável pois permitiu criar vinhos mais sãos. Apesar disso, em 1968 apenas alguns poucos pioneiros como esta adega centenária apostaram na incursão nesta área do aço. Um metal que trouxe consigo um considerável avanço tecnológico em pesquisas com materiais alternativos, em realizar diferentes combinações de uvas e em descobrir novas zonas consideradas não aptas. Portanto, o tanque de aço inoxidável é considerado como a melhor opção, entre todos os produtos que o mercado oferece, para a elaboração e reserva dos vinhos, já que o aço é sinónimo de absoluta higiene, grande resistência mecânica, longa vida útil e máxima qualidade. Este nobre material, oferece numerosas vantagens: as paredes extremamente lisas (rugosidade média 0,08-1,00 micrón) impedem a acumulação de bactérias; é 100 x 100 reciclável e ecológico e segue a tendência mundial de cuidado, respeito e conservação do Ambiente. Igualmente, o tipo de depósito onde o vinho é armazenado afecta o sabor do mesmo e por isso alguns contentores, como no caso dos tanques de aço, são neutros e são utilizados para os vinhos em que se deseja obter apenas o sabor da uva fermentada, porque este metal facilita que o vinho tinto perca parte da cor da uva. |
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Consequentemente, o aço permitiu maior controlo do processo e da sua evolução, proporcionando higiene, limpeza e melhores métodos de refrigeração na fase de fermentação da uva através da utilização de um sistema de depósitos construídos com chapa de aço inoxidável laminada a frio, idôneos tanto para fermentação como para conservação dos vinhos. Além disso, todos eles possuem uma espécie de camisas refrigerantes para manter o vinho a temperatura constante de 15ºC durante todo o ano, com o objectivo de conservar o mesmo na sua plenitude. Assim, é possível prevenir oxidações e alterações com nitrogénio que, por sua vez, permite garantir a qualidade do vinho durante esta fase do processo. Desse modo, os grandes depósitos de aço inoxidável com sistemas de refrigeração começaram a substituir os depósitos de cimento a finais da década de 70. Desde o ano 2000, a Marqués de Riscal possui uma nova área de vinificação, com 157 depósitos de aço inoxidável para fermentação alcoólica e 76 depósitos de aço inoxidável para fermentação maloláctica, com instalações que permitem a regulação da temperatura dessa etapa da elaboração do vinho e a frequência das remontagens, tudo isso, controlado por um sistema informático que ajuda a criar um vinho de alta qualidade, principal objectivo da adega. Por conseguinte, tecnologia e inovação favorecem a qualidade. |








